Feliz... Adaptado... Produtivo... Um pássaro numa gaiola a antibióticos...

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Estudo observacional

A estada prolongada em países que não o de origem introduz-nos toda uma série de dilemas filosóficos, sociológicos, psicológico, demagógicos e fisiológicos que baralham, partem e dão que pensar. Poderia agora iniciar toda uma dissertação sobre as diferenças entre os povos, o que nos separa e o que nos une, o que nos diferencia e o que nos torna iguais, mas na realidade o que me traz aqui é algo de bastante menos nobre e realizador.

Agora que a possibilidade de alguém pensar que algo de útil irá sair destas linhas está definitivamente afastada, assim como a maioria dos putativos leitores, dirijo-me como tal apenas à fatia da população cuja vida é tão desinteressante que apenas o desespero por “algo” lhes impele a continuar a ler esta amalgama de letras concatenadas.

Face à falta de conteúdo dos ultra-adjectivados e redundantes dois parágrafos anteriores, os mais cultos perguntar-se-ão por esta altura “és tu Pacheco Pereira?”, ao que eu respondo, que “Pacheco sim, Pereira ainda está por provar”. Mas não nos percamos em assuntos ulteriores e convenhamos bastante menos relevantes.

Voltando ao assunto em assunto, andava eu a vaguear por essas cidades localizadas em pontos mais a norte da Europa, e não pude deixar de reparar que além do cabelo alourar e da pele esbranquiçar, também os centímetros que vão da planta dos pés ao cocuruto eram em média bastante superiores aos nossos. Sim, a malta era mais alta.

A minha primeira hipótese explicativa para tal evidência foi, estes países encontram-se numa parte mais inferior do globo, levando a que a gravidade lhes puxe a cabeça para baixo de uma forma constante. Mas eis que o facto de ser Norte impede tal possibilidade.

A segunda possibilidade foi-me sugerida in loco, “eles bebem mais leite”. Aaaaah, pensei eu, eles bebem mais leite… Mas porquê? É que até ver o leite é algo que se encontra ao alcance da grande maioria dos países não-Haitianos, logo, a menos que se trate de gente cuja perversão leva a que se sirvam da mãe até aos 15 anos de idade e/ou de gente que explora as vacas até estas caíram secas de líquido e de exaustão, parece-me que é um motivo que levanta mais questões do que respostas.

Não obstante, e deixando-me levar pelo meu espírito cientifico, tomei a decisão de colocar esta teoria à prova e como tal decidi começar a gerar crianças até ao dia em que saiam 2 gémeos do género masculino. Um deles será alimentado à base de leite durante 18 anos, enquanto o segundo não terá contacto com o liquido em questão, sobre o pretexto de ser intolerante a lactose *. Aos 19 anos serão ambos colocados num ringue e terão que se digladiar até à morte.

Esta metodologia pode carecer de mérito científico, mas por outro lado está pejadinha de sexo irresponsável com parceiras variadas (de forma a aumentar as probabilidades de obtenção de gémeos), selvajaria e falta de respeito pela santidade da vida humana… e no fundo não é isso que realmente importa?


*Intolerante a lactose: Há gente que não suporta a lactose e estão no seu perfeito direito, ela é um bocado metediça…

quarta-feira, outubro 28, 2009

Vou dar uma volta

Diz que fazer um blog dá algum trabalho, e diz que o facto de passar o dia a falar com gente enfadonha e em inglês não ajuda muito à criatividade.

Sendo assim, vou dar uma volta a um outro blog, desta vez com ajuda de mais duas pessoas, e sob uma identidade secreta.

Passem por lá, e quem sabe, pode ser que me apeteça voltar aqui.

http://faxmatinal.blogspot.com/

segunda-feira, junho 08, 2009

No ano 2000

Diz quem percebe do assunto, e por perceber entendo quem fala de cor, de papo cheio e/ou realizadores de filmes e séries de culto, que o futuro irá trazer conformidade de agir, de vestir e sentir.

Considero-me um ser culto, informado e interessado pelo mundo em redor, digo isto porque papo tudo o que passa na televisão e em formato papel, desde que não sinta que vá acrescentar algo de útil à minha vida. Não perco portanto um minuto de qualquer programa da vida real, de qualquer discussão entre casais e acima de tudo, não perco um telejornal da TVI e uma edição do Correio da Manhã. Aprecio que me digam o que devo pensar, ao invés de me ter de esforçar para o fazer por mim próprio.

A realidade é que este manancial de informação permitiu-me perceber que é mais ou menos uma opinião concordante que no futuro que aí vem a humanidade obedecerá a estas três regras:

1. Vestirão todos de igual, qualquer coisa em preto, cinzento ou castanho, com uma pontada ou outra de cor no máximo;

2. Relações sexuais serão estritamente proibidas, sendo que a reprodução será qualquer coisa controlada para o bem de todos nós;

3. A vida será continuamente vigiada por um ser omnipresente de cuja existência apenas teremos a certeza quando já for tarde demais para arrependimentos.

Longe de mim avaliar se este tipo de vida será melhor, pior, maior, menor, alta, baixa, direita, esquerda ou assim-assim, mas quer-me parecer que há por aí gente que já leva uma grande vantagem em relação aos outros todos.


terça-feira, abril 28, 2009

A idade da inocência

Estou convicto que a idade ideal para namorar é até aos 12 anos.

Tendo dito isso, e tendo a convicção que uma grande parte dos leitores - que espantosamente se deram ao trabalho de ler uma frase que seja - já correram para as autoridades competentes para anunciar que o Fritzl chegou finalmente a terras Lusas, gostaria que os que ficaram me dessem uma ténue chance de me explicar.

É certo que há aqueles que amadurecem mais cedo, por exemplo os espermatozóides que originaram o Chuck Norris já tinham barba, e aquando do seu nascimento a primeira coisa a sair do ventre da sua mãe foi um pontapé voador que deixou K.O. a parteira. É certo que sim, mas a grande maioria da canalha míuda entra na idade da estupidez aos 13 anos (também conhecido como adolescência).

Até lá, as amizades são uma questão geográfica, ou seja: "Estás aqui, partilhas o meu espaço, só podemos ser amigos". Os amigos são os vizinhos ou toda e qualquer forma de vida que tenha doces ou brinquedos melhores que os nossos (a comida de cão e a terra dos vazos pode ser incluída neste grupo).

Na realidade, o processo de namoro não é muito diferente. A moça está no jardim, a brincar na relva ou no caixotinho de areia (não o do gato, mas aquele onde se fazem castelos). O moço aproxima-se, limpa o chocolate da boca com a manga esquerda, o ranho do nariz com a manga direita, aproxima-se devagarinho e prega uma lambada na jovem que tanto o atrai: parabéns, são agora um casal.

Após este período, a coisa complica-se. O cortejar de uma jovem implica conversa, saídas, jantares e bebidas. É preciso entretê-las, mostrar qualidades, mostrar que somos um bom partido *. A lambada é agora ilegal, a lambida mais vale nem ir por aí.


* Ocasionalmente é necessário guerrilhar com outros potenciais interessados... o último que se meteu comigo foi o Super-homem, quem perdesse tinha que andar com a roupa interior por fora das calças.

quinta-feira, abril 09, 2009

Dead man walking

No decorrer da vida profissional de um colarinho branco, parece ser bastante comum o utilizar de sapatos desconfortáveis. Conta a lenda* que isto se deve ao facto de a maioria padecer de empregos aborrecidos, casamentos pouco entusiasmantes e vidas deprimentes, e como tal vêm como ponto alto do seu dia-a-dia o momento em que tiram os sapatos dos pés.

Há uns meses valentes, quantos não sei ao certo, desempregado momentaneamente e por opção própria, resolvi dar uma passeata à Tailândia. Duas semanas, coisa pouca, onde palmilhei mais quilómetros a pé do que muitos carros com menos de 2 anos. Durante todo esse período usei ténis, esse calçado prodigioso, confortável e impermeável, cuja única pequena falha técnica consiste no facto de não permitir aos pés "respirar" como lhes convém.

O clima tropical aliado à marcha forçada fizeram o seu trabalho, tudo o que o pé suou, o ténis guardou com carinho. Passado estes meses, o odor corporal entranhou-se, deu-se às mil maravilhas com as fibras dos ténis, ficaram amigos e agora vão juntos a todo lado. Cresceu, mutou-se, tornou-se independente, tirou um curso superior e desconfio que em breve estará a caminho de um MBA. Há determinadas noites em que leva o meu carro sem pedir autorização, é reconhecido na vizinhança e irrita-me que tenha uma vida social mais interessante que a minha... se o virem por aí, digam-lhe que temos saudades e queremos que volte para casa.

*Costumava "Rezar a lenda", mas ficou chocada com os comentários do Papa sobre profiláticos...

domingo, abril 05, 2009

Lady boy

Ajudem-me, não sei se devo colocar uma etiqueta de "Desporto" ou de "Homossexualismo"...



terça-feira, março 24, 2009

Grande consumo

Aquando das necessárias deslocações periódicas a grandes lojas de serviço livre (vulgo supermercados), é constante indagar-me sobre questões existenciais que assolam a alma do mais comum mortal. Este tipo de passeios normalmente realizam-se em modo solitário, e tendo em conta que a auto-gratificação sexual em espaços públicos é considerado um crime pela maioria dos países europeus - aprendi da pior maneira – tive de a substituir pela menos entusiasmante arte de pensar na morte da bezerra*.

Enquanto me passeio pelos corredores, qual caçador indígena na procura de viveres que permitam alimentar a sua prole, tenho uma certa tendência para assumir um comportamento tipo lemingue, nunca parando ou voltando para trás. Passo pelos mesmos corredores dezenas de vezes, de forma a assegurar-me que não me esqueci de nada. Poderia parar e olhar, dirão uns, isso permitiria encontrar tudo à primeira, dirão outros, mas na minha mente distorcida está sempre toda a gente a olhar para mim, e como tal tenho que me mostrar decidido. Parar é morrer.

Ocorreu-me recentemente num destes percursos que enquanto não passarmos a caixa, nada do que temos no carrinho é mesmo nosso, na realidade apenas nos limitamos a mover coisas na loja. Tendo esse pensamento em mente (onde mais haveria de ser), da próxima vez que forem a um supermercado, encham 10 carrinhos e 15 cestos, deixem-nos algures nos corredores e fujam! Façam isto repetidamente, tenho alguma curiosidade em saber quanto tempo demora até vos darem uma sova.

Se estiverem com paciência, façam o exercício no Continente, no Modelo, no Pingo Doce, etc. e assim teremos um exercício comparativo sem interesse absolutamente nenhum.

* Força de expressão, nenhum animal foi magoado na elaboração deste disparate

quarta-feira, março 04, 2009

Ensaio sobre a discromatopsia

No admirável mundo do futebol profissional, ou mais exactamente no admirável mundo dos adeptos de futebol profissional, a relidade caracteriza-se por ser objectivamente... subjectiva. Não há dado concreto, não há fundamento ou justificação que consigam demover a fé inabalável dos fervorosos apoiantes do desporto maior deste nosso cantinho à beira-mar plantado.

Gestores, doutores e arquitectos; engenheiros, advogados e cientistas; taxistas, camionistas e alfarrobistas; juizes, agricultores, e afins; deseducados, técnicos e licenciados; graduados, mestrados e outros; QI baixo, alto, médio ou assim-assim... nada, nada conta quando o que está em questão é o clube do coração. O mais pacifico cidadão transforma-se numa fera tertuliana assim que a honra da sua dama é questionada. Desvairado, o adepto exerce o seu direito ao atraso mental, ao derrame cerebral e à estupidez crónica, e dando largas ao dicionário da Porto Editora e outros mais obscenos, o cérebro pára, a pulsação acelera e o debate começa.

Como um pequeno exemplo desta minha dissertação, temos por exemplo este pequeno artigo relativo à saude financeira dos ditos 3 grandes da nossa praça:


http://dn.sapo.pt/2009/03/03/desporto/contas_vermelho_anunciam_do_juizo_fi.html

Sem qualquer base cientifica, sem ter interpelado um único adepto, sem ter testado esta teoria de forma alguma, mas ainda assim tendo a certeza absoluta do que afirmo, desde já adianto que a interpretação do artigo irá necessariamente variar consoante a cor do adepto em questão, e com um rácio bastante considerável de "na minha opinião" afirmo que a opinião dos adeptos por clube serão as seguintes:

Portista: O Porto é o que está melhor. O Benfica está à beira da falência. Os jogadores do Sporting não valem nada.

Benfica:
O Benfica é o maior clube do mundo. O Porto são um bando de corruptos. Os jogadores do Sporting não valem nada.

Sporting:
Os jogadores do Sporting não valem nada.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Lost in translation - Episode II

Sem querer de todo personalizar a questão, gostaria de começar por dizer que o quociente de inteligência da trupe de tradutores da Fox anda algures entre o de um retardado mental e o de um calhau da calçada.

Seguidamente, congratulem-se com o facto de que não irei (re)ocupar o vosso tempo auto-elogiando a minha proverbial capacidade para assimilar línguas estrangeiras (nomeadamente as do sexo feminino), muito menos irei flagelar os vossos ouvidos relatando a minha natural aptidão para o multi-tasking, neste caso o conseguir ler e ouvir em simultâneo.

Não obstante o acima referido, gostaria de vos dar a oportunidade de não deixar passar mais dois fenomenais specimens da arte de bem traduzir:

1º Caso - Grávida ou de baixa médica?

Original: The doctor doesn't want me to walk until I go into labour.

Tradução: O médico não quer que volte a andar até voltar ao trabalho.

2º Caso - Avaliações ou tamanho de sapatos:

Original: Toda a acção gira em redor do facto de a personagem central ter uma relação com alguém que é um 10, sendo que esta seria um 7. Obviamente, estamos a falar de uma avaliação do aspecto físico da pessoa, sendo tal facto evidente desde o 1º minuto e ao longo de várias cenas e diálogos.

Tradução: O tradutor resolveu assumir que se tratava do tamanho do... sapato! Este olhar criativo sobre a questão resulta em 20 minutos de puro nonsense em que inclusive a personagem fala com uma clínica de cirurgia estética sobre a possibilidade de aumentar o nº que calçava...

E com esta deixa vos deixo...

quarta-feira, janeiro 28, 2009

You shall (not) be missed

É um país de contrastes. A sua história, embora curta, é gloriosa e suficientemente recheada para ser motivo de orgulho para o seus habitantes e de certa forma para servir de exemplo ao chamado “mundo civilizado”.

É um país onde o capitalismo tem a palavra de ordem, onde querer ser o melhor não é considerado ser ganancioso e sim ser ambicioso, é um país onde o apoio social não existe e onde cada pessoa é o seu próprio sustento. É um país cruel dirão uns, é um país onde uma pessoa é recompensada pelo seu esforço e capacidades dirão outros. É a lei da selva, onde o mais forte sobrevive e quem se deixa ficar para trás é comido.
"Fake it until you make it"

É um ecossistema complexo que pensava ter adquirido a capacidade de se auto-regular, que não precisava de olhar para dentro.
Enganou-se…
Oito anos de Bush Júnior foram o suficiente para expor todas as fragilidades inerentes ao facto de ter um atrasado mental como Rei Leão.

Ano novo, vida nova. A manhã nasce nesta selva que é o mundo globalizado. Após terem sido expostas todas as fragilidades da economia tal como a conhecemos, após ter-se colocado o dito “mundo civilizado” à beira do abismo, eis que surge um ilustre desconhecido que se rodeou de velhos conhecidos.

O mundo acreditou e não votou em branco (passe a piada). O novo Rei Leão vem rodeado de uma aura de esperança e agora resta-nos acreditar que não seja apenas propaganda, e esperar que no final do seu mandato o resultado seja um bocadinho melhor do que este:

quarta-feira, janeiro 07, 2009

De pequenino...

Dirão porventura os mais exagerados que “é uma coisa que acontece a todos”, dirão os mais amáveis que “não é razão para preocupações, até porque toda a gente sabe”, dirão mesmo os mais optimistas, “até acaba por ser útil”, mas a grande verdade é que é uma experiência traumática.

Recordo-me vagamente de uma dessas sessões de natação, em que as meninas desfilam de maillot e os rapazes exibem orgulhosamente a sua tanguinha. Orgulhoso filho varão, galã e namoradeiro, tinha por objectivo impressionar a populaça feminina que se banhasse nas proximidades.

O verdadeiro artista sabe que há cenas podem fazer ou destruir um filme, e como tal, ousado por natureza, não dando ouvidos à razão que me recomendava que não me banhasse no frio gélido das águas tratadas a cloro, mergulhei e preparei-me para emergir qual pequeno Adónis, pronto para receber humildemente os elogios rasgados e sorrisos marotos do sexo fraco.

O deslumbre que planeava causar no sexo oposto, deu lugar ao terror que transpareceu na minha face, os elogios transformaram-se em comentários perniciosos, os sorrisos em gargalhadas maldosas. A água fria, tinha feito mais uma vítima.


quarta-feira, dezembro 17, 2008

Carolina de Natal

Filho: Pai, o que é o Natal?

Pai: O Natal vem da mitologia cristã, cujas bases remontam há muito, muito tempo atrás. A sua existência é mais antiga do que o tempo em que o Benfica era glorioso e Portugal era um país respeitado e com iniciativa. Nessa época existia um carpinteiro de nome Zé, cuja mulher Maria engravidou sem que este lhe tocasse. A falta de capacidade de Maria de explicar tal milagre, obrigava a rapariga a descoser-se antes em desculpas esfarrapadas e em fugas subtis. Quando confrontada com a pergunta “A quem pertence a criança, Maria?”, a resposta era “Adeus! Adeus!”, o que levou a que uns anos mais tarde se pensasse que o rapazinho era uma espécie de messias.

Obviamente, as mentiras apenas resultam uma determinada quantidade de tempo, e como mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo, na via das dúvidas e não fosse a rapariga fazer uma ninhada de messias, o Zé além de a acusar de mentir ainda a pôs a coxear, motivo pelo qual se inventou uma nova palavra: “Banzé”. Esta palavra mais não era do que alcunha que a populaça deu ao Zé depois de este puxar a roupa ao pêlo à Maria…

A criança chamava-se Jesus. O pai tentou fazer dele um carpinteiro, mas este andava metido com uma dúzia de moços meio estranhos e resolveu fazer-se ilusionista. Entre os seus grandes sucessos encontram-se andar sobre a água, multiplicar pães, fazer andar paralíticos e curar um cego. À semelhança de Houdini, acabou por morrer em pleno palco, num truque em que o objectivo era libertar-se de uma cruz onde tinha sido pregado. Ao que parece, a sua assistente Judas terá tido parte da culpa, uma vez que tinha resolvido fazer greve (a conselho do PCP) por só receber 30 euros por mês. Jesus ficou especialmente triste porque uns dias antes tinham andado aos beijos… O facto de se baptizar as crianças numa pia, assim como o facto de se chamar cruz, levou o apresentador Carlos Cruz a somar dois e dois (ou em Latim, Bi-Bi) e ir à Casa Pia à procura do menino, mas isso é outra história…

Filho: Então e o Pai Natal?

Pai: Quando eu era petiz, não se falava muito do Pai Natal oferecer prendas, quem as trazia era o menino Jesus... o que me leva a pensar que o Pai Natal terá roubado as prendas ao moço.

Há quem diga que o Pai Natal é o Manuel Alegre ou o Pacheco Pereira. Estes são uma espécie de gémeo bom e gémeo mau, com a diferença que nenhum presta para nada. Um é poeta, o outro é pateta, um é um inútil, o outro é pouco útil, um é canhoto, outro é dextro, ambos escrevem umas coisas, ambos têm barbas brancas e nenhum dos dois faz nada que se veja durante o ano. O facto do Manuel Alegre estar a aproximar-se mais da esquerda, leva-me a crer que em breve estará a vestir um fato vermelho, portanto se tivesse que apostar, apostava que é ele o Pai Natal. Agora vai dormir que o Manuel Alegre deve estar a chegar.

Filho: Pai, tenho medo do Pai Natal…

Pai: Todos temos filho, todos temos…

quinta-feira, dezembro 11, 2008

That's all, folks

Fará por estes dias um ano (mais coisa, menos coisa) em que dando somente ouvidos à gula, com as mãos suadas e a tremer, saquei do cartão de débito e ofereci a mim próprio pela módica quantia de uma nota preta, uma caixa da mesma cor contendo dois volumes carregadinhos de DVDs e o Coffe Table Book.

Para quem acabou de chegar de uma galáxia muito, muito distante de há muito tempo atrás, estou somente a divagar sobre uma das mais populares e premiadas sitcoms dos Estados Unidos, e um verdadeiro fenómeno mundial que apesar de ter estreado em 1989, só chegou a Portugal uma década depois, pela mão da TVI, já dois anos depois de ter terminado…

A primeira (e única) série sobre “nada” girava à volta de 4 personagens principais - Jerry Seinfeld, George Costanza, Cosmo Kramer e Elaine Benes - que tinham como ponto de referência a casa do primeiro e o restaurante da esquina. Criada por Larry David e pelo próprio Jerry Seinfeld, esta foi a série que permitiu à NBC sobreviver ao final do Cheers e atingir níveis de audiências dos quais nunca mais chegou perto. Com um estilo de comédia totalmente inovador para a época, tocando em assuntos que ainda chocavam meio mundo (aborto, masturbação, homossexualismo, racismo, religião, holocausto, poligamia, cancro, deficiência, relações inter-raciais, prostituição, emigração, etc…), ainda que nunca de forma explícita ou ofensiva, recorrendo sempre a analogias e eufemismos, ao bom estilo do stand-up de Seinfeld: “Já repararam que…”, a série cresceu até se tornar num fenómeno sem precedentes.

Não obstante a qualidade da narrativa e os orçamentos terem aumentado de época para época, a série terminou inesperadamente no final do 9º ano por decisão mútua dos quatro elementos, numa altura em que o próprio Larry David já tinha abandonado, esgotados que estavam do processo criativo que a envolvia, e ignorando as quantias surreais que a NBC estava disposta a oferecer para que se fizesse mais uma época. O choque provocado pelo fim inesperado da série foi de tal forma que fez capa dos principais jornais e revistas americanas, levando a uma loucura generalizada em que se oferecia prémios exorbitantes para quem se chegasse à frente com a “estória” do último episódio antes de este ser estreado.

Ao contrário de muitas outras sitcoms que fizeram história, Seinfeld saiu em alta.

O pack contém a série completa, cenas não incluídas, entrevistas e histórias de guerra sobre o processo criativo, e outros extras menos relevantes. Neste natal, em vez de deitarem dinheiro à rua com putos ranhosos, parentes ingratos e amigos interesseiros, façam um pé-de-meia com o que receberem dos anteriormente citados e estourem essa massa nesta espantosa colecção.

Eis um exemplo do que estou a falar:

"According to most studies, people's number one fear is public speaking. Number two is death. Death is number two. Does that sound right? This means to the average person, if you go to a funeral, you're better off in the casket than doing the eulogy."

Jerry Seinfeld

domingo, dezembro 07, 2008

Nostalgia - Parte 2

P: How much wood would the woodchuck chuck, if the woodchuck could chuk wood?

R: The woodchuck won't chuck wood, couse the woodchuk can't chuck wood...

P: But if the woodchuck could chuck wood, and if the woodchuck would chuk wood, how much wood would the woodchuck chuck?

Por íncrivel que pareça, e pareço, sei esta lenga-lenga de cor, fruto de tempos bem passados frente a um jogo de computador de nome Monkey Island. Seguindo esta ideia, dei por mim a pensar que outras coisas ainda saberia sem ter que pensar muito.

Segue a seguinte lista ilustrativa e não exaustiva:

  1. A música e personagens da rua sésamo
  2. O inicio do Moby Dick
  3. O refrão principal do Dartacão
  4. A música e o nome das tartarugas ninja, especialidades, cores, etc.
  5. A música e grande parte do plot dos transformers
  6. A intro do Smash dos Offspring (Susaninha, sabes esta?)
  7. Músicas das colónias de férias e afins
  8. O nome de amigos da minha infância que já não vejo há 20 anos
  9. Apanhar uma piela com uns 5 ou 6 anos
  10. O meu primeiro acampamento
  11. Excertos da bíblia
  12. "Ó soia toia poia"
  13. Os nomes d'Os cinco

E assim de repente, qual é a coisa mais estranha que vocês se recordam?

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Preto no branco

É sem demasiada vergonha que confesso ser pouco dado a participação em folias plebéias. Tudo o que é popular rapidamente assumo como pouco interessante, afinal de contas sou um ser de excepção.

Seguindo essa corrente de pensamento, recusei-me a tocar no assunto Obama enquanto esse mesmo assunto não esfriou. Uma vez atingidos os zero graus, só tenho 3 pontos a recordar:

1. Recordo-me vagamente de ver um filme com meteoritos em queda, em que o presidente era um negro: Morgan Freeman. Portanto, dejá vú.

2. Recordo-me vagamente de alguém comentar, "como se os Americanos alguma vez elegessem um negro como presidente...". Ora toma!

3. Recordo-me vagamente que esse mesmo negro, num outro filme, encarnou o papel de Deus. Mas o Papa que se preocupe com isso.

Enfim, depois de um Presidente negro, só falta uma mulher presidente, e depois uma mulher negra presidente, e depois, talvez quem sabe, se deixem destas tretas de branco e negro, e se preocupem em eleger quem realmente perceba do assunto...

p.s. dois posts seguidos a falar do Papa, a minha avozinha ficaria orgulhosa.

terça-feira, novembro 25, 2008

Palavra do senhor

Ao avistar uma papina,
o papa começou o bate-papo.
O papa deu-lhe uma papoila,
e pediu à papona pa pô-la numa jarra.

A papona apalpou o papa,
que excitado, virou papão.
O papa papou o papo da papina,
e assim foram de vento em popa.

Desse papamento, nasceram papooses,
uma papinha e um papinho.
Ambos papam pápas
que o papá papa dá a papar.

A papina não recuperou,
ficou tão papona
que o papa não mais a papou...

Oremos irmãos



quarta-feira, novembro 19, 2008

Heil Manuela

Contrariamente à vox populi, tenho por convicção que Manuela Ferreira Leite é um verdadeiro génio das ciências políticas. É uma comunicadora nata, pragmática e populista, e possivelmente a única política do mundo que se preocupa em saber o que o povo quer ouvir e que realmente gere a sua imagem de acordo com essas expectativas.

Atenta ao mundo em redor, e seguindo a tendência de maior protagonismo das mulheres na política, evidenciado pela chanceler Alemã Angela Merkl e pela Senadora de Nova Iorque Hillary Clinton, e mais recentemente pela governadora do Alasca e candidata a Vice-Presidente Sarah Palin (mulher inteligentíssima), Manuela Ferreira, soube que esta era a altura ideal para saltar para as luzes da ribalta.

Obviamente, Manuela sabia que para derrotar um clássico da filosofia Grega, era preciso mais, muito mais.

Verdadeira mulher do mundo, culta e moderna, Manela não estava a dormir na forma quando Salazar foi eleito o maior Português de todos os tempos, e em recente aparição pública, inteligentemente fez a colagem a esta adorada figura popular - http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1046189. Trocado por miúdos, o que estava a ser comunicado ao país era que ela é mais do que uma simples mulher, é um Salazar com glândulas mamárias e peruca.

Acredito que não irá ficar por aqui, e tendo em conta as recentes eleições Americanas, não ficaria espantado que a Mané aparecesse com um bronzeado reforçado e uma carapinha de meter inveja.

domingo, novembro 09, 2008

Sintomático

Para os leigos na matéria da psico-medicina, determinadas maleitas poderão parecer fruto da imaginação demasiado estimulada de quem delas padece, levando a que os enfermos sofram a dupla chaga de ter que viver com a moléstia e com o desprezo de quem não está capacitado ou disposto a compreender.

Alguns exemplos, disso são:
  1. O Sindroma de Tourette, que em traços gerais leva o paciente a berrar impropérios sem motivo aparente;
  2. O Sindroma de Capgras, que faz com que após sofrer uma desilusão com o cônjuge, com os pais ou com qualquer outro parente, a pessoa passa a acreditar que estes foram raptados e substituídos por impostores. O sintoma por vezes volta-se contra a própria vítima: que ao olhar-se no espelho, também acredita que está vendo a imagem de um farsante;
  3. O Sindroma do sotaque estrangeiro, em que após sofrer uma pancada ou qualquer outro tipo de lesão no cérebro, as vítimas desse distúrbio passam a falar com sotaque francês… ou italiano… ou espanhol. A língua varia, mas, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem o novo idioma.

Pessoalmente, levo as 3 maleitas supra-citadas bastante a sério, até porque sofro de “ambas as 3”* em simultâneo (além de variadas outras já referidas ao longo de 2 anos de blog).Passo a explicar: por algum motivo, aquando de desaires amorosos, arranjei o seguinte modo de fazer recuperar da desilusão - Cabeçadas de força na parede. Violento processo pelo qual é possibilitada a gradual substituição da dor emocional pela dor física, e a dor de corno pela dor de cabeça.

Infelizmente, o acumular de desilusões – e de cabeçadas - resultou em que agora, de cada vez que olho para o espelho, desato a berrar impropérios com sotaque angolano devido ao facto de estranhar o facto de não ver um individuo de tez negra no reflexo.


*Simão Sabrosa dixit

segunda-feira, novembro 03, 2008

Muda de vida

Não fosse as linhas que agora escrevo, e amanhã faria um mês que nada postava. Contudo, e ao ao contrário do que poderão ter pensado, não, não abandonei o Blog.

Então o que se passou?

Pois bem, mudei de vida, ou quase, na realidade mudei de emprego. Saltei da pequena IMS Health para a gigante Deloitte e ofereci à minha pessoa um presente de assinatura: duas semanas a explorar a Tailândia com um amigo de longa data, uma semana em Vezena/Roma com a namorada, ainda deu para ir a casa ver a mamã e o papá e ainda para ficar uns dias a não fazer nenhum na minha base de operações em Bruxelas.

O Blog ficou em suspenso, não por falta de ideias, mas por estar ainda a sofrer de uma lanzeirice que me impede de mexer uma palha de cada vez que chego a casa. Ah, e as primeiras duas semanas de Deloitte já deram para umas noitadas e um fim-de-semana de trabalho.

Por isso, tenham dó. Enquanto esperam por mais um disparate, deleitem-se com este momento verdadeiramente genial.

Contexto: Iamos a meio da nossa estadia na Tailândia, e após 3 dias passados na selva, resolvemos alugar um par de scooters para conhecermos as zonas mais inacessíveis da cidade de Chiang Mai. Um tempo porreiro e uma estrada decente colina acima, tornaram-se repentinamente numa chuva tropical numa estrada esburacada ribanceira abaixo. O resultado foi o meu caro amigo incorrer no segundo desastre de mota da sua carreira. Não foi grave, mas resultou numas feridas feias, o que na zona em que nos encontrámos ajudou a piorar o cenário. Os primeiros socorros locais estavam longe de ser os ideais, o que resultou neste hilariante vídeo: