Feliz... Adaptado... Produtivo... Um pássaro numa gaiola a antibióticos...
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domingo, novembro 09, 2008

Sintomático

Para os leigos na matéria da psico-medicina, determinadas maleitas poderão parecer fruto da imaginação demasiado estimulada de quem delas padece, levando a que os enfermos sofram a dupla chaga de ter que viver com a moléstia e com o desprezo de quem não está capacitado ou disposto a compreender.

Alguns exemplos, disso são:
  1. O Sindroma de Tourette, que em traços gerais leva o paciente a berrar impropérios sem motivo aparente;
  2. O Sindroma de Capgras, que faz com que após sofrer uma desilusão com o cônjuge, com os pais ou com qualquer outro parente, a pessoa passa a acreditar que estes foram raptados e substituídos por impostores. O sintoma por vezes volta-se contra a própria vítima: que ao olhar-se no espelho, também acredita que está vendo a imagem de um farsante;
  3. O Sindroma do sotaque estrangeiro, em que após sofrer uma pancada ou qualquer outro tipo de lesão no cérebro, as vítimas desse distúrbio passam a falar com sotaque francês… ou italiano… ou espanhol. A língua varia, mas, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem o novo idioma.

Pessoalmente, levo as 3 maleitas supra-citadas bastante a sério, até porque sofro de “ambas as 3”* em simultâneo (além de variadas outras já referidas ao longo de 2 anos de blog).Passo a explicar: por algum motivo, aquando de desaires amorosos, arranjei o seguinte modo de fazer recuperar da desilusão - Cabeçadas de força na parede. Violento processo pelo qual é possibilitada a gradual substituição da dor emocional pela dor física, e a dor de corno pela dor de cabeça.

Infelizmente, o acumular de desilusões – e de cabeçadas - resultou em que agora, de cada vez que olho para o espelho, desato a berrar impropérios com sotaque angolano devido ao facto de estranhar o facto de não ver um individuo de tez negra no reflexo.


*Simão Sabrosa dixit

sábado, abril 28, 2007

(Des)equilíbrio

No nobre intento de nos dar uma boa formação de base, o sagaz senso comum recorre frequentemente aos inevitáveis extremos.

É este senso comum que nos diz que mais vale pobre e com saúde, do que rico e doente.

Isto porque, a argúcia de quem já viveu muito permite-lhe opinar que da convivência com o frio, a chuva e os ratos, um pobre terá porventura uma maior capacidade de se manter saudável do que um rico que, no seu bem-bom (além do acesso a todo um sistema de saúde), está aqui, está a bater a bota...

Poderiamos opinar sobre a legitimidade deste argumento, mas o que aqui se pretende é questionar se não haverá um estado intermédio? Será possível estar assim-assim e com um salário decente, ou ter um olho roxo e um nariz partido e mesmo assim uns trocos no bolso? Ter uma doença crónica ou terminal, é o mesmo que ter uma gripe ou uma dor de estômago? E se não, qual dos dois me deixa mais perto de um Porsche?