Feliz... Adaptado... Produtivo... Um pássaro numa gaiola a antibióticos...
Mostrar mensagens com a etiqueta Etiqueta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Etiqueta. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, março 24, 2009

Grande consumo

Aquando das necessárias deslocações periódicas a grandes lojas de serviço livre (vulgo supermercados), é constante indagar-me sobre questões existenciais que assolam a alma do mais comum mortal. Este tipo de passeios normalmente realizam-se em modo solitário, e tendo em conta que a auto-gratificação sexual em espaços públicos é considerado um crime pela maioria dos países europeus - aprendi da pior maneira – tive de a substituir pela menos entusiasmante arte de pensar na morte da bezerra*.

Enquanto me passeio pelos corredores, qual caçador indígena na procura de viveres que permitam alimentar a sua prole, tenho uma certa tendência para assumir um comportamento tipo lemingue, nunca parando ou voltando para trás. Passo pelos mesmos corredores dezenas de vezes, de forma a assegurar-me que não me esqueci de nada. Poderia parar e olhar, dirão uns, isso permitiria encontrar tudo à primeira, dirão outros, mas na minha mente distorcida está sempre toda a gente a olhar para mim, e como tal tenho que me mostrar decidido. Parar é morrer.

Ocorreu-me recentemente num destes percursos que enquanto não passarmos a caixa, nada do que temos no carrinho é mesmo nosso, na realidade apenas nos limitamos a mover coisas na loja. Tendo esse pensamento em mente (onde mais haveria de ser), da próxima vez que forem a um supermercado, encham 10 carrinhos e 15 cestos, deixem-nos algures nos corredores e fujam! Façam isto repetidamente, tenho alguma curiosidade em saber quanto tempo demora até vos darem uma sova.

Se estiverem com paciência, façam o exercício no Continente, no Modelo, no Pingo Doce, etc. e assim teremos um exercício comparativo sem interesse absolutamente nenhum.

* Força de expressão, nenhum animal foi magoado na elaboração deste disparate

terça-feira, maio 20, 2008

Passar a batata quente

Quando se padece de maleitas esquizofrénicas ao nível das que afectam este blogger, sabe-se por conselho de curandeiros experimentados que o caminho para a cura se faz passo a passo.

É do saber comum que o primeiro e mais importante passo é admitir que temos um problema.

Recentemente, num qualquer espaço ultra reservado, a Catarina Morgado identificou (mais) uma característica deste Homem Duplicado: A beleza!


Sendo assim, e sem vergonhas ou demoras: Sou lindo, e assumo-o!

O passo seguinte é partilhar o nosso problema com os demais, e sendo assim resolvi estender esta corrente aos 3 eixos da minha existência bloggista:

Para a família: Sai um BB Award para a prima mais aluada
Para os colegas: Sai um BB Award para o Cabo da Boa Esperança
Para os amigos: Sai um BB Award para o dia-a-dia de uma moça

Irão concerteza reparar que os prémios foram só para elementos do sexo feminino. Isto deve-se unicamente ao facto de uma das múltiplas personalidades ser assumidamente homofóbica, e por acaso ser aquela que hoje se encontra de serviço.
.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Mood Killers - Parte 4: Os putos

São tempos de brandos costumes estes em que os tratados de pedopsiquiatria insistem em que a imposição de regras de educação deveria ser substítuida por uma discussão racional entre o adulto e a criança.

Condicionados pelo olhar reprovador da população, os paizinhos vêm-se assim impedidos de aplicar um correctivo de mão aberta na nalga dos seus rebentos - ou palmada no rabo, se preferirem. Longe vão os tempos da pedagogia da palmada, em que uma boa tapa nos glúteos acalmava a canalha miúda como nenhuma conversa racional é capaz.

Eis-nos então obrigados a aturar, nos restaurantes e restante locais públicos, esses racionais seres de 6 anos que, completamente alheios ao facto das suas vozes estridentes não serem propriamente uma sinfonia, se atiram para o chão a berrar e espernear até que sejam satisfeitas as suas exigências.

Exactamente em que momento é que o compreensivo pai deverá abordar a adorável criancinha de forma a terem a tal discussão racional? Antes ou depois desta ficar rouca e todos os restantes seres vivos em redor surdos ou com sérias lesões na trompa de eustáquio?

segunda-feira, julho 30, 2007

Mood Killers - Parte 3: Os empregados

Entre os funcionários dos diversos estabelecimentos privados que por aí existem, ainda há muitos que não compreenderam quem é o cliente e quem é o empregado.

Ao seu dispor temos o típico Tuga, senhor de todo o saber, emproado e, aparentemente, chateado com o mundo em geral e com a clientela em particular. Ainda que esta não queira mais do que gastar o seu dinheiro naquela casa comercial.

Do mais banal café, ao mais luxuoso hotel, estes seres estão plenamente convictos de que, ao invés de um serviço pago, nos estão a prestar um favor, como tal dando-se ao luxo de responder torto ou não responder de todo. Raros são os locais em Portugal onde não nos é exigido implorar por um breve momento de atenção, enquanto esta briosa gente faz de conta que não vê, ou que está demasiado ocupada para ver.

Caso não queira aturar esta gente, resta-lhe a lenta simpatia dos Brasileiros e ex-habitantes do leste Europeu, cuja dificuldade em compreender a nossa língua, apenas tem paralelo na nossa dificuldade em compreender a sua lentidão.

quarta-feira, julho 18, 2007

Mood Killers - Parte 2: A música

Quem não gosta de, ao final de uma semana de trabalho, ir beber um copo com amigos sem que nem sempre nos apeteceça ir para a confusão da noite citadina?

Mas eis que nos deparamos com uma situação em que não é de todo possível encontrar um estabelecimento cujo botão de volume não esteja todo virado para a direita. Nem vou entrar em discussão sobre a qualidade da música em questão, até porque reconheço não ser um moço de gostos comuns, mas há mesmo necessidade de ter o volume tão alto?

Em resposta a esta invasão auditiva, a resposta dos grupos é tentar falar por cima da música, o que aumenta ainda mais a poluição sonora* já existente num espaço que era suposto ser de relaxamento.

Suponho que faz parte das vicissitudes de quem chegou à pouco tempo à vida adulta, não ter bem a certeza se é uma moda recente ou se isto já dura há anos, mas ainda assim, qual é exactamente o objectivo desta música em locais tais como cafés e restaurantes?

É suposto saltarmos para cimas das mesas e dançar? E se sim, onde é que é suposto as pessoas estarem sentadas a conversar?




* A poluição sonora é o efeito provocado pela difusão do som num tom demasiado alto, sendo o mesmo muito acima do tolerável pelos organismos vivos, no meio ambiente. Dependendo da sua intensidade, causa danos irreversíveis nos seres humanos.

quarta-feira, julho 11, 2007

Mood Killers - Parte 1: O fumo

Aparentemente, não é suficientemente evidente que um pauzinho de ervas que liberta monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, nicotina e alcatrão, dificilmente poderá fazer bem à saúde, e não obstante os constantes alertas para os malefícios do tabaco, ainda há quem nos obrigue a aturar o seu perigoso vício.

Eles estão em todo o lado, nos bares, nos restaurantes, nas discotecas, nas praias, nos escritórios e nas ruas. Reconhecíveis pelo seu bafo bolorento e dentição amarelada, identificam-se dois tipos de fumadores públicos:

1. os que além de aparentarem um prazer imenso em espalhar ao máximo a sua nuvem tóxica pelos 4 cantos do local em que se encontram, ainda se sentem insultados por as pessoas à volta se sentirem incomodadas;

2. os que conscienciosamente dão inutilmente às asinhas no sentido de tentar dispersar o fumo, tentado evitar que este atinja os demais. Gesto simpático, mas particularmente inútil em locais fechados, pelo menos segundo a teoria de Lavoisier *.

Por mais que se procure, não adianta, assim que se encontra uma nesga de O2, rapidamente aparece um pelotão armado com o seu odioso maço de tabaco e respectivo isqueiro, empenhado em garantir que se tiverem de morrer pelo seu vício, ao menos não morrem sozinhos...



* Antoine Lavoisier (1743 - 1794) - considerado o pai da química, deduziu a lei da conservação da matéria: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Neste caso, o fumo resultante da combustão do cigarrinho não se perde pelo esbracejar do fumador, transformando-se sim num lindo cancro do pulmão.