Feliz... Adaptado... Produtivo... Um pássaro numa gaiola a antibióticos...
Mostrar mensagens com a etiqueta Vida Social. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vida Social. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, outubro 28, 2009

Vou dar uma volta

Diz que fazer um blog dá algum trabalho, e diz que o facto de passar o dia a falar com gente enfadonha e em inglês não ajuda muito à criatividade.

Sendo assim, vou dar uma volta a um outro blog, desta vez com ajuda de mais duas pessoas, e sob uma identidade secreta.

Passem por lá, e quem sabe, pode ser que me apeteça voltar aqui.

http://faxmatinal.blogspot.com/

segunda-feira, junho 08, 2009

No ano 2000

Diz quem percebe do assunto, e por perceber entendo quem fala de cor, de papo cheio e/ou realizadores de filmes e séries de culto, que o futuro irá trazer conformidade de agir, de vestir e sentir.

Considero-me um ser culto, informado e interessado pelo mundo em redor, digo isto porque papo tudo o que passa na televisão e em formato papel, desde que não sinta que vá acrescentar algo de útil à minha vida. Não perco portanto um minuto de qualquer programa da vida real, de qualquer discussão entre casais e acima de tudo, não perco um telejornal da TVI e uma edição do Correio da Manhã. Aprecio que me digam o que devo pensar, ao invés de me ter de esforçar para o fazer por mim próprio.

A realidade é que este manancial de informação permitiu-me perceber que é mais ou menos uma opinião concordante que no futuro que aí vem a humanidade obedecerá a estas três regras:

1. Vestirão todos de igual, qualquer coisa em preto, cinzento ou castanho, com uma pontada ou outra de cor no máximo;

2. Relações sexuais serão estritamente proibidas, sendo que a reprodução será qualquer coisa controlada para o bem de todos nós;

3. A vida será continuamente vigiada por um ser omnipresente de cuja existência apenas teremos a certeza quando já for tarde demais para arrependimentos.

Longe de mim avaliar se este tipo de vida será melhor, pior, maior, menor, alta, baixa, direita, esquerda ou assim-assim, mas quer-me parecer que há por aí gente que já leva uma grande vantagem em relação aos outros todos.


terça-feira, março 24, 2009

Grande consumo

Aquando das necessárias deslocações periódicas a grandes lojas de serviço livre (vulgo supermercados), é constante indagar-me sobre questões existenciais que assolam a alma do mais comum mortal. Este tipo de passeios normalmente realizam-se em modo solitário, e tendo em conta que a auto-gratificação sexual em espaços públicos é considerado um crime pela maioria dos países europeus - aprendi da pior maneira – tive de a substituir pela menos entusiasmante arte de pensar na morte da bezerra*.

Enquanto me passeio pelos corredores, qual caçador indígena na procura de viveres que permitam alimentar a sua prole, tenho uma certa tendência para assumir um comportamento tipo lemingue, nunca parando ou voltando para trás. Passo pelos mesmos corredores dezenas de vezes, de forma a assegurar-me que não me esqueci de nada. Poderia parar e olhar, dirão uns, isso permitiria encontrar tudo à primeira, dirão outros, mas na minha mente distorcida está sempre toda a gente a olhar para mim, e como tal tenho que me mostrar decidido. Parar é morrer.

Ocorreu-me recentemente num destes percursos que enquanto não passarmos a caixa, nada do que temos no carrinho é mesmo nosso, na realidade apenas nos limitamos a mover coisas na loja. Tendo esse pensamento em mente (onde mais haveria de ser), da próxima vez que forem a um supermercado, encham 10 carrinhos e 15 cestos, deixem-nos algures nos corredores e fujam! Façam isto repetidamente, tenho alguma curiosidade em saber quanto tempo demora até vos darem uma sova.

Se estiverem com paciência, façam o exercício no Continente, no Modelo, no Pingo Doce, etc. e assim teremos um exercício comparativo sem interesse absolutamente nenhum.

* Força de expressão, nenhum animal foi magoado na elaboração deste disparate

domingo, novembro 09, 2008

Sintomático

Para os leigos na matéria da psico-medicina, determinadas maleitas poderão parecer fruto da imaginação demasiado estimulada de quem delas padece, levando a que os enfermos sofram a dupla chaga de ter que viver com a moléstia e com o desprezo de quem não está capacitado ou disposto a compreender.

Alguns exemplos, disso são:
  1. O Sindroma de Tourette, que em traços gerais leva o paciente a berrar impropérios sem motivo aparente;
  2. O Sindroma de Capgras, que faz com que após sofrer uma desilusão com o cônjuge, com os pais ou com qualquer outro parente, a pessoa passa a acreditar que estes foram raptados e substituídos por impostores. O sintoma por vezes volta-se contra a própria vítima: que ao olhar-se no espelho, também acredita que está vendo a imagem de um farsante;
  3. O Sindroma do sotaque estrangeiro, em que após sofrer uma pancada ou qualquer outro tipo de lesão no cérebro, as vítimas desse distúrbio passam a falar com sotaque francês… ou italiano… ou espanhol. A língua varia, mas, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem o novo idioma.

Pessoalmente, levo as 3 maleitas supra-citadas bastante a sério, até porque sofro de “ambas as 3”* em simultâneo (além de variadas outras já referidas ao longo de 2 anos de blog).Passo a explicar: por algum motivo, aquando de desaires amorosos, arranjei o seguinte modo de fazer recuperar da desilusão - Cabeçadas de força na parede. Violento processo pelo qual é possibilitada a gradual substituição da dor emocional pela dor física, e a dor de corno pela dor de cabeça.

Infelizmente, o acumular de desilusões – e de cabeçadas - resultou em que agora, de cada vez que olho para o espelho, desato a berrar impropérios com sotaque angolano devido ao facto de estranhar o facto de não ver um individuo de tez negra no reflexo.


*Simão Sabrosa dixit

quarta-feira, agosto 29, 2007

Mood Killers - Parte 4: Os putos

São tempos de brandos costumes estes em que os tratados de pedopsiquiatria insistem em que a imposição de regras de educação deveria ser substítuida por uma discussão racional entre o adulto e a criança.

Condicionados pelo olhar reprovador da população, os paizinhos vêm-se assim impedidos de aplicar um correctivo de mão aberta na nalga dos seus rebentos - ou palmada no rabo, se preferirem. Longe vão os tempos da pedagogia da palmada, em que uma boa tapa nos glúteos acalmava a canalha miúda como nenhuma conversa racional é capaz.

Eis-nos então obrigados a aturar, nos restaurantes e restante locais públicos, esses racionais seres de 6 anos que, completamente alheios ao facto das suas vozes estridentes não serem propriamente uma sinfonia, se atiram para o chão a berrar e espernear até que sejam satisfeitas as suas exigências.

Exactamente em que momento é que o compreensivo pai deverá abordar a adorável criancinha de forma a terem a tal discussão racional? Antes ou depois desta ficar rouca e todos os restantes seres vivos em redor surdos ou com sérias lesões na trompa de eustáquio?

segunda-feira, julho 30, 2007

Mood Killers - Parte 3: Os empregados

Entre os funcionários dos diversos estabelecimentos privados que por aí existem, ainda há muitos que não compreenderam quem é o cliente e quem é o empregado.

Ao seu dispor temos o típico Tuga, senhor de todo o saber, emproado e, aparentemente, chateado com o mundo em geral e com a clientela em particular. Ainda que esta não queira mais do que gastar o seu dinheiro naquela casa comercial.

Do mais banal café, ao mais luxuoso hotel, estes seres estão plenamente convictos de que, ao invés de um serviço pago, nos estão a prestar um favor, como tal dando-se ao luxo de responder torto ou não responder de todo. Raros são os locais em Portugal onde não nos é exigido implorar por um breve momento de atenção, enquanto esta briosa gente faz de conta que não vê, ou que está demasiado ocupada para ver.

Caso não queira aturar esta gente, resta-lhe a lenta simpatia dos Brasileiros e ex-habitantes do leste Europeu, cuja dificuldade em compreender a nossa língua, apenas tem paralelo na nossa dificuldade em compreender a sua lentidão.

quarta-feira, julho 18, 2007

Mood Killers - Parte 2: A música

Quem não gosta de, ao final de uma semana de trabalho, ir beber um copo com amigos sem que nem sempre nos apeteceça ir para a confusão da noite citadina?

Mas eis que nos deparamos com uma situação em que não é de todo possível encontrar um estabelecimento cujo botão de volume não esteja todo virado para a direita. Nem vou entrar em discussão sobre a qualidade da música em questão, até porque reconheço não ser um moço de gostos comuns, mas há mesmo necessidade de ter o volume tão alto?

Em resposta a esta invasão auditiva, a resposta dos grupos é tentar falar por cima da música, o que aumenta ainda mais a poluição sonora* já existente num espaço que era suposto ser de relaxamento.

Suponho que faz parte das vicissitudes de quem chegou à pouco tempo à vida adulta, não ter bem a certeza se é uma moda recente ou se isto já dura há anos, mas ainda assim, qual é exactamente o objectivo desta música em locais tais como cafés e restaurantes?

É suposto saltarmos para cimas das mesas e dançar? E se sim, onde é que é suposto as pessoas estarem sentadas a conversar?




* A poluição sonora é o efeito provocado pela difusão do som num tom demasiado alto, sendo o mesmo muito acima do tolerável pelos organismos vivos, no meio ambiente. Dependendo da sua intensidade, causa danos irreversíveis nos seres humanos.

quarta-feira, julho 11, 2007

Mood Killers - Parte 1: O fumo

Aparentemente, não é suficientemente evidente que um pauzinho de ervas que liberta monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, nicotina e alcatrão, dificilmente poderá fazer bem à saúde, e não obstante os constantes alertas para os malefícios do tabaco, ainda há quem nos obrigue a aturar o seu perigoso vício.

Eles estão em todo o lado, nos bares, nos restaurantes, nas discotecas, nas praias, nos escritórios e nas ruas. Reconhecíveis pelo seu bafo bolorento e dentição amarelada, identificam-se dois tipos de fumadores públicos:

1. os que além de aparentarem um prazer imenso em espalhar ao máximo a sua nuvem tóxica pelos 4 cantos do local em que se encontram, ainda se sentem insultados por as pessoas à volta se sentirem incomodadas;

2. os que conscienciosamente dão inutilmente às asinhas no sentido de tentar dispersar o fumo, tentado evitar que este atinja os demais. Gesto simpático, mas particularmente inútil em locais fechados, pelo menos segundo a teoria de Lavoisier *.

Por mais que se procure, não adianta, assim que se encontra uma nesga de O2, rapidamente aparece um pelotão armado com o seu odioso maço de tabaco e respectivo isqueiro, empenhado em garantir que se tiverem de morrer pelo seu vício, ao menos não morrem sozinhos...



* Antoine Lavoisier (1743 - 1794) - considerado o pai da química, deduziu a lei da conservação da matéria: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Neste caso, o fumo resultante da combustão do cigarrinho não se perde pelo esbracejar do fumador, transformando-se sim num lindo cancro do pulmão.

sábado, abril 28, 2007

(Des)equilíbrio

No nobre intento de nos dar uma boa formação de base, o sagaz senso comum recorre frequentemente aos inevitáveis extremos.

É este senso comum que nos diz que mais vale pobre e com saúde, do que rico e doente.

Isto porque, a argúcia de quem já viveu muito permite-lhe opinar que da convivência com o frio, a chuva e os ratos, um pobre terá porventura uma maior capacidade de se manter saudável do que um rico que, no seu bem-bom (além do acesso a todo um sistema de saúde), está aqui, está a bater a bota...

Poderiamos opinar sobre a legitimidade deste argumento, mas o que aqui se pretende é questionar se não haverá um estado intermédio? Será possível estar assim-assim e com um salário decente, ou ter um olho roxo e um nariz partido e mesmo assim uns trocos no bolso? Ter uma doença crónica ou terminal, é o mesmo que ter uma gripe ou uma dor de estômago? E se não, qual dos dois me deixa mais perto de um Porsche?

domingo, abril 01, 2007

Opções de vida

Foi recentemente lançada em Portugal a mui aguardada PlayStation3.

Devido a questões de marketing, e ao que parece algumas dificuldades na linha de montagem, era sobejamente sabido que o stock inicial seria curto, como tal era necessário chegar cedo às lojas, esperar algum tempo na fila e, obviamente, ter alguma sorte (e 600 euros no bolso)...

Entre os que se baldaram ao trabalho, às aulas, a uma tarde de marmelada, e/ou pura e simples sorna no sofá, o moço que comprou a primeira PS3 teve de esperar nada menos do que 14 horas em pé numa fila no El Corte Inglés para poder adquirir a dita peça de hardware.

A minha pergunta é 'Como devemos tratar este jovem?'

  1. Dar-lhe os parabéns!
  2. Assaltá-lo!
  3. Bater-lhe com uma adequada dose de violência, sorrindo sarcasticamente!
  4. Arrancar-lhe as mãozinhas, para que seja obrigado a jogar a treta da consola com os pés!

segunda-feira, março 19, 2007

Disse que disse

Não serei porventura o único elemento da raça humana ao qual, através de pequenos comentários originários de chalaças entre amigos, um código linguístico alternativo se tornou predominante.

Faz tudo parte do processo de socialização, diria ipsis litteris a psicologia social, afinal de contas está establecido como norma que o indivíduo procure tornar-se membro de um determinado conjunto social, aprendendo seus códigos, suas normas e regras básicas de relacionamento. Até aí tudo bem.

A coisa apenas falha quando já fora deste grupo de pertença, damos por nós a proferir, largo e bom som, termos tão em desuso como Baril, ou então tão pouco em voga como Bacano, e porque não o sempre excessivo Men...

Em jeito de auto-defesa, resta-nos apenas afirmar que nós próprios estávamos a gozar com um qualquer anúncio que ouvimos por aí. Valha-nos a constante falta de inspiração dos anúncios de rádio e TV, aos quais podemos sempre apelar como desculpa para a nossa própria falta de fixeza.

p.s. Carameeeeeeeelo...

domingo, março 04, 2007

Ditadura popular

Ditado, como o próprio nome diz, é a expressão que através dos anos se mantém imutável, aplicando exemplos morais, filosóficos e/ou religiosos. Historiadores, filósofos e letrados em geral já tentaram descobrir a origem destes pedaços de sabedoria, contudo essa tarefa não se afigura fácil.

Poderiamos argutamente debruçar-nos sobre a ignorância subjacente à utilização recorrente de argumentos que nos são pouco esclarecidos, contudo optamos pela via mais fácil continuando a utilizá-los no sentido de enriquecer o nosso discurso com um leve toque de proverbialismo.

Sendo assim, resta-nos convencer o nosso superior hierárquico de que depressa e bem, não há quem, devagar se vai ao longe, antes tarde que nunca e que quem espera sempre alcança. Afinal de contas, grão a grão, enche a galinha o papo, sem nunca perder de vista que não há duas sem 3, e ainda bem porque à 3ª é de vez.

P.S. Já agora, já pensaram o que não terá feito a moça para nos referirmos de forma tão negativa à casa da Joana...? Mas que grande pêga...

domingo, fevereiro 25, 2007

Auxiliares de memória

Vítimas de uma sociedade de informação cada vez mais dinâmica, é exigido a todos nós uma capacidade sobrenatural de armazenar mentalmente toda uma panóplia de dados provenientes das mais diversas fontes.

De uma forma ou de outra, lá vamos encontrando gavetas na nossa memória onde arquivar o dia-a-dia da vida global, local, familiar, social, amorosa, etc., na esperança de que, assim que se torne necessário, essas lembranças irão emergir fazendo-nos brilhar à luz da nossa imensa cultura geral.

Evidentemente, nem sempre isso acontece, e eis que a partir desse momento tudo depende do orador, já que estes os há os que estalam os dedos, os que coçam ou que batem na cabeça, os que praguejam, os que suspiram, ou ainda os que com um conclusivo "também não interessa" preferem contar o resto da história, tornando esta última numa amálgama ininteligível.

Na impossibilidade de compreender a mensagem interpretada pelo nosso orador, resta-nos então apreciar os mecanismos que cada um tem para se recordar e/ou levar outros a ajudá-lo a recordar-se.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Rally Lisboa/Setúbal

Seja para equilibrar a prova, seja por motivos de segurança, está instaurado um limite de velocidade para o Lisboa/Dakar.

Caso esteja desinformado, saiba que a velocidade máxima permitida é de 150 Km/h... mais coisa menos coisa, isto porque se dá um descontozinho de 10 km/h (ou mais, se o polícia for português e a gorjeta substancial).

Após esse limite, os concorrentes são autuados com multas, penalizações e por último... desclassificação.

Serve isto para dizer que na realidade foram muitos os portugueses a participar na prova, o problema foi que 9 em cada 10 não passaram da ponte Vasco da Gama...

terça-feira, janeiro 02, 2007

Ano novo, e tudo na mesma...

Seja por que motivo for, está socialmente definido que o ano novo deverá ser encarado como um recomeço para tudo aquilo que correu menos bem até às 24 horas do dia 31 de Dezembro do ano em questão. Como tal, é comum ouvir-se em conversas soltas e suspiros sentidos os desejos e esperanças que cada um gostaria de obter neste novo período da sua vida.

Estudioso que sou do comportamento daqueles que me são alheios (eufemismo para cuscuvilheiro), folheei sofregamente os jornais do dia 30 em busca dos costumeiros pedidos de opinião que os jornalistas tendem a colocar aos primeiros 5 peões que virem nesse dia. A pergunta em questão era obviamente: Quais são os seus desejos para o ano que aproxima?

Entre os respondentes, houve um que me chamou a atenção em particular, isto porque ele muito entusiasticamente afirmou (qual ovinho Kinder) que só queria 3 coisas no próximo ano:

1. Ganhar o Euromilhões
2. Paz e amor para todos
3. Que o Benfica seja campeão


À primeira vista quem leu até este ponto estará capaz de afirmar que 6/10 dos portugueses pediram algo parecido, e os outros 4/10 concordam pelo menos com os dois primeiros pontos.

É verdade, tudo normal, não fosse o facto de este simpático cidadão estar actualmente desempregado... É bom ver que as suas prioridades estão bem definidas...

terça-feira, dezembro 05, 2006

A química do marketing

Na esperança de cativar novos consumidores cria-se a necessidade de encontrar novos nichos de mercado. Como tal, a indústria tende a virar-se para outro tipo de oferta mais sofisticada do que a insipida variedade até então existente.

Sem ser velho começo lentamente a deixar de ser novo, e posso com segurança afirmar que ainda sou do tempo em que os iogurtes eram de sabor a morango, banana ou pura e simplesmente naturais.

Agora temos iogurtes com Bacilos DanRegularis, duas vezes mais cálcio e vitamina D, L.Casei Imunitass, Bifidus Activo e/ou Benecol. Tudo chavões perfeitamente desconhecidos do saber comum, mas apelativos o suficiente para que (independentemente do facto de ser bêbado, toxicodependente, diabético, homem, mulher, adulto, criança, gordo, magro, branco, amarelo, preto ou azul à bolinhas) sobre um qualquer efeito placebo consigamos afirmar: "Tomei isto, sinto-me melhor!"

A química já não consegue acompanhar o marketing, como tal aguardo o passar do tempo até chegarmos ao inevitável cúmulo em que os iogurtes - após cuidadosa prescrição do médico especialista - irão passar a ser vendidos apenas em farmácias.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Um muito bom dia

Se há uma altura do dia em que a minha tendência para enveredar pelo caminho de pária da sociedade assume todo o seu esplendor, essa altura será provavelmente ao acordar.

O meu autismo latente torna-se então evidente, movo-me cabisbaixo, enfadado e resmungão. Respondo com grunhidos a todo aquele que não percebeu que o facto de não lhe ter dirigido a palavra não se deveu a distração, e sim a puro desprezo.

Para futuras interacções matinais, eis algumas dicas para quando me encontrarem ao raiar do dia:

1. Não me dirijam a palavra
2. Dêm-me prioridade para a casa-de-banho
3. Garantam que há café moído
4. Assegurem-se que o pacote de leite tem que chegue para uma caneca
5. Não esquecer o pão e a manteiga

Caso os pontos 2, 3, 4 e 5 falhem, a eficácia do ponto 1 deverá ser assegurada.

Caso todos os pontos falhem, olhem para a minha cara, porque o que vão ver é alguém perfeitamente convicto de que acabaram de lhe estragar o dia, tendo este acabado de começar...

segunda-feira, setembro 25, 2006

O Nascer do Sol

Com o objectivo de suprir de uma vez por todas uma necessidade latente da nossa sociedade, o mundo dos media passou a acolher mais um semanário generalista: O Sol.

Qualquer comparação ao Expresso ou ao Independente terá um final pouco feliz. Desde já desengane-se, porque este jornal destaca-se em todos os sentidos.

1. Como não mencionar o seu inovador logotipo, que não só parece que acabamos de comprar uma brochura de férias, como ainda somos presenteados com a notícia que este muda de cor consoante a estação do ano. Isto é algo que muito sinceramente já fazia falta num jornal, e não vejo como pudemos passar sem isso até agora.

2. Folheando o recém-chegado, desde logo temos a possibilidade de observar tudo aquilo que temos perdido na nossa vida, sim porque 2/3 deste jornal é composto por publicidade variada, fazendo-me pensar se não haverá aqui estratégia escondida para fazer concorrência ao Dica da Semana.

3. Mais umas páginas e rapidamente chegamos ao verdadeiro apogeu da informação ao lermos o artigo do adolescente que escreve sozinho o jornal da terra, para uma audiência média de 40 leitores. Penso que era dificil imaginar uma história melhor que esta num jornal que sai de 7 em 7 dias, acontece pouca coisa numa semana. Como raio farão os diários, é algo que me escapa...

4. É preciso esperar pelo fim do jornal para dar de caras (e com a cara) com a coluna do professor Marcelo (coincidência, chama-se Blogue), onde num relâmpago de genialidade afirma que o Expresso é que é concorrente do Sol, e não o contrário. Não satisfeito, conta-nos as suas peripércias por essas praias fora, e claro está, o bom que é de saber que o Francisquinho (neto do prof. Marcelo) não aprecia bolos, ainda que a Teresinha já lhe vá tomando o gosto. Isto sim, é informação.

5. A fechar em beleza, descontente com uma notícia sobre si, Isaltino Morais referiu-se à 1ª edição deste supimpa semanário como um pasquim vendido ao poder instalado, ao que o Sol respondeu com uma queixa em tribunal por difamação. O que faz sentido, porque isto de fazer acusações sem base de sustentação, espalhar boatos e afins é tarefa reservada apenas aos jornalistas e semanários pasquins.

Não sei se é do aquecimento global, mas o nascer do Sol está longe de ser aquilo que apregoam.

quinta-feira, setembro 21, 2006

E.R.

De acordo com o mais banal dos dicionários, stress consiste no produto de uma soma das respostas físicas e/ou psicológicas com uma disparidade entre uma experiência real, ou imaginada, face a uma expectativa pessoal.

Já no meu dicionário, stress consiste em estarmos especados, enquanto uma gota de suor nos escorre pela testa, a observar o homem que está a reparar a máquina do café e, entre uma respiração ofegante, uma unha roida e o aparecimento de (mais) um cabelo grisalho, perguntamos com o ar mais sério deste mundo:

"É grave, senhor Dr...?"

quarta-feira, agosto 30, 2006

Elementar, meu caro

Na eterna procura da afirmação social e/ou profissional, é uma constante no nosso quotidiano delirante os indíviduos que, na falta de algo para dizer, exercem o seu direito a ser banais.

Não esperem soluções, trabalho real ou sequer um grande exercício cognitivo da parte destes senhores, dali temos garantido que o músculo do cérebro apenas será utilizado para constatar o manifestamente óbvio.

Em presença de um carro avariado no meio do deserto do sahara, este espécimen irá em jeito de bitaite afirmar que:
-Bom, bom, era ter aqui um mecânico!

Caso tenha perdido as chaves de casa, ou estas tenham sido levadas como parte integrante do pecúlio de um infeliz encontro com um amigo do alheio, levando a que tenha ficado fechado de fora de casa, é apenas natural que o seu amigo constate que:

- Se tivéssemos as chaves, podiamos entrar!

Caso seja necessário fazer um telefonema de um telefone público às 5 da manhã, quando só temos uma nota de 10 € e as probabilidades de encontrar alguém ou algo para nos trocar a nota, é certo que irá ouvir:

- Isto dava jeito era ter dinheiro trocado!


Ainda assim, entre este tipo de indivíduos, alguns alcançam relativo sucesso, seja como políticos profissionais, lambe-botas do chefe, comentadores desportivos e/ou críticos de pacotilha.