Feliz... Adaptado... Produtivo... Um pássaro numa gaiola a antibióticos...

quarta-feira, janeiro 28, 2009

You shall (not) be missed

É um país de contrastes. A sua história, embora curta, é gloriosa e suficientemente recheada para ser motivo de orgulho para o seus habitantes e de certa forma para servir de exemplo ao chamado “mundo civilizado”.

É um país onde o capitalismo tem a palavra de ordem, onde querer ser o melhor não é considerado ser ganancioso e sim ser ambicioso, é um país onde o apoio social não existe e onde cada pessoa é o seu próprio sustento. É um país cruel dirão uns, é um país onde uma pessoa é recompensada pelo seu esforço e capacidades dirão outros. É a lei da selva, onde o mais forte sobrevive e quem se deixa ficar para trás é comido.
"Fake it until you make it"

É um ecossistema complexo que pensava ter adquirido a capacidade de se auto-regular, que não precisava de olhar para dentro.
Enganou-se…
Oito anos de Bush Júnior foram o suficiente para expor todas as fragilidades inerentes ao facto de ter um atrasado mental como Rei Leão.

Ano novo, vida nova. A manhã nasce nesta selva que é o mundo globalizado. Após terem sido expostas todas as fragilidades da economia tal como a conhecemos, após ter-se colocado o dito “mundo civilizado” à beira do abismo, eis que surge um ilustre desconhecido que se rodeou de velhos conhecidos.

O mundo acreditou e não votou em branco (passe a piada). O novo Rei Leão vem rodeado de uma aura de esperança e agora resta-nos acreditar que não seja apenas propaganda, e esperar que no final do seu mandato o resultado seja um bocadinho melhor do que este:

8 comentários:

Arhis disse...

Pois... o grande problema é a gestão de expectativas!
Se por um lado todo o mundo espera que ele seja o "salvador do mundo", muitos não acreditam que se consiga sair desta buraco/crise económica nos próximos anos.
No entanto, mesmo sem saber, atrevo-me a dizer que sempre é melhor que o Bush!

Dany Days disse...

Está brilhante!!
Há que ter esperança. Não acho que seja o salvador da pátria, mas é de certeza uma lufada de ar fresco.

Cláudia disse...

Lindo! Imaginar o Bush Júnior como um Rei Leão faz-me lembrar mais um "leãozinho" do que outra coisa! Gosto mais de pensar no Obama, um leão a rugir "yes, we can". Resta saber quem irá ele desiludir em primeiro lugar...!

MeiaLua disse...

Eu.... hum... espero para ver, com muuuita apreensão.

O Padrinho (que não é um bom exemplo) disse...

O Foda-se
de Millôr Fernandes

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de foda-se! que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? O foda-se! aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Me liberta. Não quer sair comigo?

Então foda-se!. Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!. O direito ao foda-se! deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

Prá caralho, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que Prá caralho? Prá caralho tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas prá caralho, o Sol é quente prá caralho, o universo é antigo prá caralho, eu gosto de cerveja prá caralho, entende? No gênero do Prá caralho, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso Nem fodendo!. O Não, não e não! e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade Não, absolutamente não! o substituem.

O Nem fodendo é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranquila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral?

Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo Marquinhos presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicinio.

Por sua vez, o porra nenhuma! atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um PHD porra nenhuma!, ou ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!. O porra nenhuma, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos aspone, chepone, repone e mais recentemente, o prepone - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. / Pense na sonoridade de um Puta-que-pariu!, ou seu correlato Puta-que-o-pariu!, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer puta-que-o-pariu! dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso vai tomar no cu!? E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai tomar no olho do seu cu!. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: Chega! Vai tomar no olho do seu cu!.

Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios. /

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: Fodeu!. E sua derivação mais avassaladora ainda: Fodeu de vez!. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? Fodeu de vez!.

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se ...

Anónimo disse...

Que lindo, que lindo....

Sérgio disse...

Mesmo que venham algumas desilusões a caminho, acho que grande já foi o facto de se ter unido o Mundo para pôr o Bush a andar do posto! E acho que essa é já a primeira vitória a celebrar, antes de mais nada! O Bush saltou! :)

Quanto ao Obama, "Yes, we can!" e "Change, we need!" parecem-me bons exemplos da atitude que precisamos neste momento. Se ele vai ser capaz de fazer tudo o que prometeu, vamos ver.

Os hóspedes de Guantánamo já começaram a ser despejados... :)

Angelblue disse...

O Bush já lhe deve estar a preparar a caminha muito bem. É demasiado autocratico e rancoroso para passar o testemunho a um Negro. Quando os vi lado a lado, lembrei-me do filme "JFK" de Oliver Stone, nem sei porquê...